
Reforma Tributária: o que muda para quem está no Simples Nacional?
A tão falada Reforma Tributária finalmente começou a sair do papel. Mas se você é dono de uma pequena empresa e está enquadrado no Simples Nacional, talvez esteja se perguntando: essa mudança também me afeta? A resposta é sim — e mais do que você imagina.
Neste artigo, vamos explicar de forma prática o que muda, o que continua e o que merece sua atenção desde já.
O Simples Nacional continua, mas com novos desafios
Primeiro, uma boa notícia: o regime do Simples Nacional não foi extinto. As empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano continuarão podendo optar pelo modelo unificado de tributação, pagando tributos federais, estaduais e municipais em uma só guia, o famoso DAS.
Porém, com a criação do novo IVA Dual — formado pela CBS (tributo federal) e IBS (tributo estadual e municipal) —, o ambiente de negócios mudou, e as empresas do Simples passaram a conviver com novas regras de crédito tributário, novas obrigações e riscos fiscais maiores.
O problema dos créditos: como afeta sua competitividade
A principal mudança prática para quem vende para outras empresas (clientes B2B) é a seguinte:
- Antes, empresas no Lucro Real podiam aproveitar créditos integrais de PIS/Cofins, mesmo que comprassem de fornecedores do Simples.
- Com a nova regra, o crédito que elas podem usar será limitado ao valor de IBS e CBS efetivamente pago dentro da guia DAS.
Em outras palavras: o seu cliente pode preferir comprar de alguém fora do Simples, porque isso gera mais crédito fiscal para ele.
Se você vende para indústrias, comércios atacadistas ou grandes empresas, isso pode prejudicar sua competitividade e até levar à perda de contratos se não houver planejamento estratégico.
Opção por regime híbrido: vale a pena?
A Reforma também criou uma alternativa: o Simples Nacional híbrido.
Nesse modelo, a empresa continua no Simples, mas paga a CBS e o IBS por fora da DAS, o que permite que seus clientes aproveitem o crédito total desses tributos.
O lado ruim? A carga tributária aumenta — e pode chegar a quase 26,5%, dependendo do tipo de atividade.
Por isso, é essencial fazer simulações, com a ajuda do contador, para entender se vale a pena adotar esse modelo.
Conclusão: Simples, mas não tanto assim
A Reforma Tributária não acabou com o Simples Nacional, mas deixou claro: estar no Simples não é mais sinônimo de simplicidade automática.
Agora, o planejamento tributário se torna ainda mais essencial — mesmo para quem fatura menos.
E se a sua empresa depende de clientes maiores, o impacto pode ser direto na sua precificação, no fechamento de contratos e até na permanência no regime.
Por isso, não espere 2026 chegar para agir. Converse com a gente, entenda seus números e prepare seu negócio para essa nova realidade.
